Outra noite de ruas vazias

01:43 Kamila Siqueira 1 Comments

24/07/2011

 Seus passos ecoam no silêncio da noite e ela se pergunta se mais alguém está escutando. Olha em volta, mas não há ninguém. A escuridão da noite é profunda de novo. Ela anda devagar, sem a intenção de chegar a lugar nenhum.
Está frio. Ela veste o casaco e cruza os braços, tentando se aquecer. Continua andando, sem saber para onde. Está tarde. Talvez isso explique a ausência de pessoas nas ruas. Ela tenta se lembrar quando foi que começou a sentir essa ausência, quando foi que começou a incomodá-la. Não sabe. Mas sabe que o que a leva a sentir-se assim, o que a leva a andar pelas ruas sem destino é aquela pequena solidão constante. Uma daquelas coisas das quais só poderia se livrar se deixasse de ser humana. Uma daquelas coisas intrínsecas à sua alma. Uma daquelas coisas que a faz se reconhecer.
Andar sozinha cansa. Há algo em seu corpo que a faz continuar caminhando e se não fosse isso, já teria desistido há tempos. Há algo sem sentido que a faz continuar. Há um desejo em seu coração que ela tenta esconder e que a fortalece um pouco. Há uma vontade estranha de viver mais um pouco. Há uma música em sua cabeça, algumas histórias em suas lembranças e um suspiro em sua respiração. Há algo que a faz querer caminhar.
Seu único desejo no momento é saber para onde deve ir. Não se importa com a direção desde que encontre alguma coisa boa no caminho. Ela sabe que pode encontrar, sabe que pode haver algo de bom lá na frente. Ela só precisa saber qual é o caminho, só isso.
Por um instante, pára de caminhar, olha para o céu e pede por alguma coisa. Algum sinal, alguma orientação dizendo para onde deve ir. Ela olha para o céu escuro e espera.
Mas é noite de lua nova, não há nenhuma luz para guiá-la.

1 Comentários:

Tamyres Palma disse...

É impressionante e assustador como reconheço muitos de meus antigos textos em teus escritos.
Os meus foram escritos numa fase sombria, e por isso me incomodo em pensar que você pode estar numa fase - ao menos mental - sombria.

Desejo melhoras sinceras, mesmo nem te conhecendo, Sacudidora.