Um desejo

23:22 Kamila Siqueira 1 Comments

11/12/2011

Eu queria falar. Só falar. Mas não tenho o que dizer e, se dissesse, as palavras sairiam erradas. Muito erradas. Não é por mal, entenda, mas minhas palavras sempre saem erradas. Distorcidas. Confusas. Arranhadas. Elas me traem. Eu levo um tempo considerável para reunir um pouco de coragem para falar e quando abro a boca, um punhado de palavras erradas saem de lá. As certas se escondem. O que eu realmente queria dizer não sai, não está lá, está preso na garganta e lá fica, permanentemente. E o que acontece depois das palavras distorcidas são os olhos confusos que me olham tentando entender, mas que não entendem. Nunca entendem. E eu tento explicar de novo, tento resgatar aquelas frases que ficam presas lá dentro, mas não consigo chegar até elas - estão longe até de mim.
E então eu tento reverter tudo com meu silêncio, mas o silêncio é tão torturante! E me apavora. Não gosto deste tipo de silêncio que me preenche de um vazio tão abstrato. E não gosto do silêncio dos outros. Porque eu também queria ouvir. Se não consigo falar, queria ao menos ouvir. Mesmo que não tivessem muito a dizer. Mesmo que dissessem palavras confusas e arranhadas. Eu entenderia. Eu sorriria. Eu me sentiria acolhida. Mas nem isso consigo em um dia cinzento desses. As palavras que vêm dos outros também se perdem no meio do caminho. E nunca chegam. E eu fico a esperar, com os olhos e ouvidos atentos, com as palavras ainda agarradas à garganta e com a urgência de quem não tem, de quem não tem... De quem não tem mais nada.

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Eu

23:29 Kamila Siqueira 2 Comments

  31/10/2011

Eu mudei. Ou ao menos estou mudando.
Mudei os cabelos, mudei a maquiagem, mudei o sorriso. Troquei os hábitos antigos por hábitos melhores. Tentei deixar para trás o que me segurava, tudo o que me manteve presa por tanto tempo no mesmo lugar. Tudo o que não me deixava seguir em frente.
Mas mudei para continuar a mesma. Mudei porque sempre fui eu, mas não sabia como ser eu com tantas pessoas olhando. E estou tentando aprender. Estou tentando me ver ao invés de me ignorar. Ao invés de fugir de mim mesma.
Um dia desses me disseram que sou uma mulher forte. Mulher. Forte. Mulher forte. Repita algo mil vezes e você acabará acreditando nisso. Eu preciso acreditar. Já não basta apenas cuidar de mim mesma, preciso acreditar. Estou tentando ocupar minha mente comigo mesma, o que antes nunca fiz. Estou parando de completar a minha vida inteira com as vidas dos outros e tentando completá-la comigo. Com as minhas coisas, com as minhas ideias, com as minhas ações. Eu sou uma pessoa completa, independente de quem esteja ao meu lado. É claro que isso não diminui o meu amor pelos outros, o amor que eu sinto ainda é aquele incondicional, eterno. Mas o que sinto por mim mesma também precisa ser incondicional. Também precisa ser imenso.
Sem medo de desviar ligeiramente o caminho que costumava seguir, começo a caminhar por uma estrada um pouco diferente. Eu sei que posso fazer isso. Erguer a cabeça e enfrentar o que encontrar pela frente. Saber que tenho tudo o que preciso dentro de mim. Parar de me importar com os problemas, com as injustiças do destino. Ver o mundo de um jeito mais bonito e deixar que o mundo me veja também. Sorrir para o mundo, sorrir para mim mesma.
Olhar no espelho e, pela primeira vez, reconhecer meu reflexo.

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23:00 Kamila Siqueira 1 Comments

04/09/2011

Eles se sentaram sem dizer nada e ela ouviu uma música ao longe.
- Nós temos trilha sonora. - Disse, rindo um pouco. Depois olhou ao redor e
continuou - E uma fonte d'água. E temos uma lua também.
Ele também olhou em volta.
- Nós temos o mundo inteiro.

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Uma pequena volta no tempo

19:18 Kamila Siqueira 1 Comments

04/09/2011

 Na minha cidade existe um relógio que decidiu andar para trás durante alguns dias. Já faz alguns anos, mas até hoje inevitavelmente me lembro dessa história todas as vezes que passo perto do relógio.
Disseram que havia sido um raio ou algo assim que mudara a direção dos ponteiros. Houve reclamações e promessas de que o conserto viria o mais rápido possível. Houve pequenas revoltas por parte daqueles que usavam o relógio para se situar no tempo. Houve notícias nos jornais denunciando a falha.
É claro, havia aqueles que não percebiam mudança alguma no relógio. Havia aqueles que não se importavam com isso. E havia eu, que não conseguia evitar de ver uma beleza poética em ponteiros que andam no sentido anti horário.
Era como se estivéssemos voltando no tempo. Como se o mundo dissesse que podemos ter outra chance. Que podemos tentar de novo, que podemos insistir mais um pouco, porque o tempo não é nada, o tempo é abstrato, o tempo só existe para aqueles que têm pressa. E pressa para quê, se não estamos preparados para o que o futuro nos reserva?
Mas a pergunta que me fiz na época foi outra: por que eu gostaria de voltar no tempo?
Durante aqueles dias em que os ponteiros correram contra o tempo, não consegui encontrar uma resposta. Hoje, tanto tempo depois, aquele mesmo relógio me deu alguns motivos.
Os ponteiros estavam lá, desta vez seguindo o sentido horário usual. Mas, de algum forma, eu voltei um pouco no tempo. Uma boa companhia e uma música que sempre me fez sorrir me fizeram voltar os ponteiros da minha vida durante alguns minutos.
Havia algumas pessoas na praça, mas isso não me impediu de levantar e estender a mão para que ele dançasse comigo. E durante os minutos em que a música tocou, eu me senti tranquila. Lembrei-me de momentos passados. De outros dias, de outras conversas, de outros sorrisos. De outras danças. Senti como se estivesse segura naqueles braços. Como se as conversas ligeiramente confusas não importassem mais. Como se ninguém precisasse tomar decisão nenhuma. Como se aquele momento fosse eterno, único. Perfeito.
- Igual a primeira vez. - Ele disse, com um pequeno sorriso nos lábios.
Eu o olhei, sem dizer nada. A música ainda tocava, nós ainda dançávamos e meu coração estava cheio de um sentimento bonito.
Eu apensa sorri. Por dentro e por fora.

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Outra noite de ruas vazias

01:43 Kamila Siqueira 1 Comments

24/07/2011

 Seus passos ecoam no silêncio da noite e ela se pergunta se mais alguém está escutando. Olha em volta, mas não há ninguém. A escuridão da noite é profunda de novo. Ela anda devagar, sem a intenção de chegar a lugar nenhum.
Está frio. Ela veste o casaco e cruza os braços, tentando se aquecer. Continua andando, sem saber para onde. Está tarde. Talvez isso explique a ausência de pessoas nas ruas. Ela tenta se lembrar quando foi que começou a sentir essa ausência, quando foi que começou a incomodá-la. Não sabe. Mas sabe que o que a leva a sentir-se assim, o que a leva a andar pelas ruas sem destino é aquela pequena solidão constante. Uma daquelas coisas das quais só poderia se livrar se deixasse de ser humana. Uma daquelas coisas intrínsecas à sua alma. Uma daquelas coisas que a faz se reconhecer.
Andar sozinha cansa. Há algo em seu corpo que a faz continuar caminhando e se não fosse isso, já teria desistido há tempos. Há algo sem sentido que a faz continuar. Há um desejo em seu coração que ela tenta esconder e que a fortalece um pouco. Há uma vontade estranha de viver mais um pouco. Há uma música em sua cabeça, algumas histórias em suas lembranças e um suspiro em sua respiração. Há algo que a faz querer caminhar.
Seu único desejo no momento é saber para onde deve ir. Não se importa com a direção desde que encontre alguma coisa boa no caminho. Ela sabe que pode encontrar, sabe que pode haver algo de bom lá na frente. Ela só precisa saber qual é o caminho, só isso.
Por um instante, pára de caminhar, olha para o céu e pede por alguma coisa. Algum sinal, alguma orientação dizendo para onde deve ir. Ela olha para o céu escuro e espera.
Mas é noite de lua nova, não há nenhuma luz para guiá-la.

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O diálogo inexistente

21:15 Kamila Siqueira 0 Comments

25/06/2011

 Eu não percebi quando ela entrou no ônibus. Distraída como sou, não percebi nem mesmo quando se sentou ao meu lado. Só notei sua presença algum tempo depois, quando afastou os cabelos do rosto e enxugou algumas lágrimas.
Eu não a conhecia, mas ela se parecia com muitas garotas que andam por aí. Fones de ouvido, olhar perdido na paisagem lá fora. Devia ter mais ou menos a minha idade, talvez um pouco mais nova. Não tinha nada que chamasse a atenção, exceto a situação em que se encontrava: estava chorando.
Não tive nenhuma reação imediata. Não sabia o que deveria fazer. Talvez devesse ignorar sua presença, do mesmo modo que me ignorava. Mas a minha vontade era de me virar para ela e dizer:
- Não fica assim não... As coisas vão melhorar, acredite.
Ela se viraria para mim e diria, ainda com lágrimas nos olhos:
- Eu não entendo. Por que tudo tem que ser tão difícil assim?
- Eu não sei. Eu busco as mesmas respostas que você busca, há um bom tempo. Até hoje não descobri em qual sentido o mundo gira e por isso também fico um pouco tonta às vezes.
- Por que as coisas não podem ser do jeito que eu gostaria, pelo menos uma vez na minha vida?
Nesse momento ela desviaria o olhar e eu ficaria um instante calada. Depois diria, um pouco para ela e um pouco para mim mesma:
- Ah, menina, como eu queria que as coisas fossem simples assim.
Seria a vez dela de ficar calada. Depois, voltaria os olhos para mim, ainda cheios de lágrimas.
- Eu quero esquecer de tudo o que eu estou sentindo. Como é que a gente faz para enterrar um sentimento e não pensar nisso nunca mais?
Desta vez, eu que desviaria o olhar. E diria:
- Sentimento a gente não enterra, menina. A gente deixa doer até achar que não vai dar pra aguentar. Aí a gente descobre que aguenta sim, que a gente é forte. E uma hora tudo passa.
Nós ficaríamos em silêncio por um tempo. Então eu apertaria levemente uma das mãos dela, sorriria um pouco e me levantaria. Desceria do ônibus e a deixaria seguir com as minhas palavras em sua mente.
Mas é claro que nada disso aconteceu. Em vez disso, eu permaneci calada e ela também. Durante todo o caminho ela chorou, as lágrimas caindo silenciosamente, o olhar voltado para a janela. Então o ônibus parou, ela se levantou, passou por mim sem me ver e foi embora.

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O que me faz ficar aqui

22:15 Kamila Siqueira 1 Comments

07/05/2011

 Ainda existe, em algum lugar dentro de mim, aquela garota que quer ir embora. Desaparecer, fugir. Sem contar a ninguém, sem olhar para trás. Não vou a lugar nenhum, é claro, nunca fui. Mas vez ou outra, quando entro em um vagão do metrô ou quando olho através da janela de um ônibus e vejo o mundo lá fora, ainda surge aquela vontade de não ir ao lugar onde pretendia ir e deixar que o destino escolha meu próximo paradeiro.
É claro que nunca segui este impulso. Não por falta de coragem ou de oportunidade, mas por saber que em qualquer lugar que eu vá, ainda serei eu mesma. Posso fugir das pessoas, das obrigações impostas, de alguns problemas. Mas ainda terei minha consciência apontando minhas falhas. E andarei em círculos, deparando-me com as mesmas antigas decepções, provocadas por novas pessoas. Posso deixar tudo para trás, mas nunca me livrarei de mim mesma. E minha vida me seguirá em qualquer lugar, o que torna inútil a vontade de ir. Eu não poderia ir embora, mesmo se quisesse.
Mas esta vontade tem aparecido cada vez com uma frequência menor. E confesso que quando ela surge, não penso mais em como eu poderia ir. Penso nos motivos que tenho para ficar. Porque hoje, quando o silêncio da noite é muito profundo, o telefone costuma tocar, o que antes raramente acontecia. E em vez de permitir que os pensamentos embaralhem minha mente, eu permito que um sorriso se forme em meus lábios. Porque não me importo mais com aqueles que me mostram os problemas do mundo e da minha vida. Não importa o quanto algumas coisas são imperfeitas, um sorriso bonito me lembra o quanto alguns momentos são perfeitos.
E hoje posso dizer que eu iria a qualquer lugar do mundo, desde que pudesse voltar para casa no fim do dia. Talvez eu não tenha coisas extraordinárias na minha vida, mas tenho pessoas extraordinárias. E hoje eu sei que também sou importante para algumas delas. Eu iria a qualquer lugar do mundo, mas sempre voltaria. Pelas pessoas.

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Liberdade

18:12 Kamila Siqueira 4 Comments

10/03/2011

 Não é como se eu estivesse de mãos atadas. Nasci com livre arbítrio, ao menos é o que dizem. Mas não posso e isso é tudo o que sei. Ouvi um homem dizer que não sou livre se não conseguir dizer não a mim mesma. Então talvez eu não seja mesmo livre. E talvez a minha forma de conduzir a vida seja tão absurda que escolho negar a liberdade para que não precise negar o que minha alma deseja, o que meu coração busca, o que meu corpo quer. Não sou livre, mas é isso o que me faz possuir as palavras. E se sou escrava de algo, que seja de mim mesma e de minhas palavras.
E afinal, que vantagens teria em conseguir dizer não para tudo e qualquer coisa, se o que me faz sentir melhor é justamente dizer sim em algumas situações? Não entendo quem divide as escolhas entre certas e erradas se escolhas são apenas escolhas, com suas consequências boas e ruins. Hoje me sinto disposta a olhar para o céu durante o dia até que a claridade do sol arranque lágrimas dos meus olhos porque sei que hoje as lágrimas não serão de tristeza. Mas nos dias em que forem lágrimas tristes, qual o problema em fechar meus olhos? Por que não posso ignorar algumas verdades por um tempo?
A vida é bonita sim, mas é como um cristal brilhando sob o sol quente. É bonito de se olhar, às vezes é bonito até mesmo quando se espatifa no chão. Mas seus pequenos pedaços são cortantes, ferem. Eu ando com os pés descalços, o coração aberto. Tenho todo o direito do mundo de evitar pisar em cacos de vidro.

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Seis minutos

19:37 Kamila Siqueira 1 Comments

21/02/2011

 Não é necessário muito tempo para que uma vida mude. A cada segundo o mundo sofre mudanças, às vezes tão pequenas que são quase imperceptíveis. Já observou o quão rapidamente as cores do céu costumam mudar? Eu não consigo enxergar todos os tons de azul. Mas sei que eles estão em constante mudança.
Também não são necessárias muitas coisas para que uma vida mude. Uma palavra, um gesto, um rápido pensamento e voilà: o mundo inteiro está diferente. Mais rápido que um piscar de olhos. O que realmente leva tempo é digerir e entender a nova realidade. E constantemente o tempo que levamos para aceitar as mudanças corresponde ao tempo que o mundo leva para mudar tudo de novo.
Seis minutos. É o tempo que levo para me levantar da cama depois de acordar, todos os dias. É o tempo que gasto para praticar pequenas ações do cotidiano. É o tempo exato que levo para sair da minha casa e chegar em um lugar que costuma me deixar alegre. E é o tempo que leva para que o mundo inteiro mude. Seis minutos. Quantas coisas inacreditáveis podem acontecer nesse espaço de tempo? Quanto desse tempo é usado para pensar em uma possibilidade e quanto é usado para tomar uma decisão? Existe espaço para a dúvida dentro destes seis minutos?
Eu não sei responder nada. Não sei nem mesmo de quanto tempo precisamos para compreender tantas mudanças repentinas. Talvez não estejamos prontos para entender. Ou talvez entender não seja assim tão importante quanto aceitar. Talvez não somos nós os responsáveis por explicar.
O que sei é que às vezes a única coisa que podemos fazer para contornar as mudanças desagradáveis é torcer para que não demore muito mais que seis minutos para que tudo mude de novo. E para melhor.

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Aquela pequena solidão constante

12:28 Kamila Siqueira 6 Comments

13/01/2011

 Você respira lentamente e mantém o olhar fixo na paisagem à sua frente enquanto percebe. Não é difícil ver, mas talvez não seja fácil admitir. Você olha ao seu redor fingindo distração e constata o que quase ninguém vê: Você não pertence a lugar nenhum.
O olhar é desviado quando encontra outro olhar qualquer, quase inconscientemente, contra a sua vontade. Não queria desviar, pelo contrário, queria saber olhar nos olhos. Queria saber ganhar a curta e completa atenção que um olhar é capaz de proporcionar. Queria ser vista e ser guardada na memória por causa de um detalhe qualquer. Mas como é que se aprende a não desviar um olhar?
Talvez tudo isso tenha surgido daquele antigo medo de se envolver. Mas se esse medo bobo foi superado há tempos, por que suas consequências ainda se refletem nas poucas palavras, no silêncio de quem não sabe o que dizer? Às vezes o rosto inexpressivo até sugere uma certa falta de interesse. Mas não, ah não. O seu interesse pelas pessoas é o que te move, é o que te empurra para seguir em frente. Existe amor pelas pessoas dentro de você, um amor grande demais. Esse é o seu erro, menina. O seu amor é tão grande que te faz perder o amor por si mesma. E o amor por si mesma deveria ser o teu amor mais venerado porque talvez seja o único verdadeiro. Não é que as pessoas não gostem de você, entenda. Elas gostam, algumas delas até bastante. Mas é que você... É difícil explicar. Você é... Ah, como é que alguém pode gostar de quem desvia o olhar e evita a troca de palavras? Não é sua culpa, eu sei que não. Mas também não é culpa dos outros. Você simplesmente não se encaixa. Em lugar nenhum.
Mas não é necessário nenhum pequeno desespero. Porque no fundo, ninguém se encaixa. Somos quase 7 bilhões de solitários lutando para tentar não desviar o olhar dos outros, todos nós. Todos nós, lá no fundo, temos essa pequena solidão constante e essa vontade de mudar. Mas não mudamos.
E no fundo, a única pessoa que você tem é a si mesma. Como todos nós.

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